
25.03.2026 - 30.08.2026
UMA PÁGINA ABERTA | Group Show
A arte sempre fez parte da alma do Palacete Severo.
Na Perspective Galerie, a criatividade contemporânea encontra um lar dentro das históricas paredes do palácio. Através de exposições cuidadosamente curadas, o espaço convida artistas e visitantes a um diálogo entre património e expressão moderna.
Aqui, a cultura torna-se parte da experiência.
Uma perspectiva em constante mudança que enriquece cada visita.












Esta exposição nasceu de um desejo simples, mas que se tornou raro:
Devolver à narrativa um lugar que não seja nem o da informação, nem o do espetáculo. Numa época em que as histórias circulam sob a forma de fluxo — dados, imagens, conteúdos instantâneos logo consumidos e esquecidos — Uma página aberta afirma uma outra maneira de contar: mais lenta, mais porosa, mais hospitaleira.
Contar, aqui, não significa explicar nem demonstrar. Trata-se antes de deixar que uma história se deposite, de criar um espaço onde algo possa ser transmitido sem se resolver por completo. Esta abordagem encontra um eco particular no pensamento de Walter Benjamin, quando distingue a informação — imediata, fechada sobre si mesma — da narrativa, que nunca se entrega totalmente e continua a atuar sobre quem a escuta. A narrativa não impõe um sentido: abre uma duração, autoriza o retorno, a deriva, o imaginário.

O lugar onde esta exposição acontece não é neutro.
Um hotel é, por natureza, um espaço de narrativas latentes. Nele se permanece sem nele se inscrever de forma duradoura; habita-se sem lhe pertencer. Cruzam-se vidas que nunca se chegará a conhecer, ocupam-se quartos já atravessados por outros, e que voltarão a sê-lo depois da nossa partida. E, no entanto, cada passagem inventa a sua própria ficção. Um quarto numerado torna-se o nosso quarto. Um salão torna-se a nossa pausa. Um jardim torna-se a nossa paisagem interior — pelo tempo de uma estadia.
Esta apropriação temporária, esta coexistência entre o anónimo e o íntimo, cria uma forma de magia discreta. O lugar torna-se um palimpsesto de histórias vividas, supostas ou imaginadas. Não se tratava aqui de contar a história do lugar, nem de a ilustrar, mas de prolongar a sua lógica: acolher narrativas abertas, fragmentárias, transmissíveis.
Reunindo obras de Juraj Toman, Maria Beatitude, Marco Cordero, Carlos Tárdez e Khaled Dawwa, Uma página aberta reúne práticas distintas, mas ligadas por uma mesma atenção à narrativa como experiência aberta. As obras apresentadas não transmitem nem uma mensagem unívoca nem uma moral. Deixam brancos, suspensões, zonas de incerteza. Convidam o observador a abrandar, a projetar, a completar. Neste espaço, cada um é livre de prolongar aquilo que lhe é dado, de fazer circular a experiência em vez de a consumir.


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